Thor: Ragnarok promete marcar o início de um novo ciclo na vida cinematográfica do deus do trovão. Mas será que o filme cumpre as altas expectativas? Confira a nossa crítica sem spoilers à terceira aventura solo de Thor Odinson!

Não é “apenas” mais um filme do Universo Cinematográfico Marvel

Thor: Ragnarok

Seria fácil dizer que Thor: Ragnarok é mais um longa que segue fielmente a tradição Marvel em todo o seu esplendor visual e diversão do início ao fim. E não estaríamos mentindo. Mas Ragnarok vai além da chamada “fórmula Marvel”, abrindo caminho para um humor assumidamente diferente e alcança uma conjugação ideal entre divino e o mundano.

Humor fora da caixa

Thor

Com um diretor como Taika Waitti (conhecido pelos filmes de culto O Que Fazemos Nas Sombras e A Incrível Aventura de Rick Baker), era esperado que Ragnarok fosse bastante influenciado pelo seu senso de humor único. Pode ser fácil comparar até a outros filmes do UCM conhecidos pelo humor como Guardiões da Galáxia, mas Ragnarok tem o seu próprio humor singular.

A marca de autor de Waititi está ao longo de todo o filme, dos menores detalhes até a momentos de nonsense total. E se há personagem e ator que se encontram perfeitos dentro deste novo estilo, eles são Thor / Chris Hemsworth. O ator australiano já tinha mostrado como está confortável em papéis de comédia mas em nenhum outro filme ele brilhou tanto como em Ragnarok.

Lutas verdadeiramente épicas

Thor e Hulk

É difícil falar das cenas de combate sem entrar em spoilers mas prometemos que estes são dos melhores momentos do filme. Cada luta é uma bela cena coreografada e repleta de detalhes, mantendo a emoção e diversão a cada segundo enquanto a trilha sonora aumenta nossa adrenalina (nossa, quando toca Immigrant Song de Led Zeppelin!).

Quem rouba a cena

Grão-Mestre

O filme pode ter o nome de Thor no título mas existem alguns personagens que chegam para roubar todas as atenções. O Grão-Mestre interpretado por Jeff Goldblum é uma adição sensacional ao UCM, conseguindo ter sucesso na árdua tarefa de deixar sua marca como um dos personagens mais bizarros desse universo. En Dwi Gast, o Grão-Mestre, tem uma excentricidade que faz até o Colecionador (Benicio del Toro) parecer meio sem graça.

Korg, o gladiador rochoso da arena e curiosamente interpretado por Taika Waititi, pode ter cenas breves mas ele é vencedor em todas elas. Sua modéstia e calma perante a insanidade geral aliada a uma voz peculiar fazem deste alienígena um sucesso instantâneo.

E não esquecemos o personagem mais óbvio a roubar as cenas de Thor e os asgardianos: o inevitável Hulk. Mas para ele precisamos falar um pouco mais porque o Gigante Esmeralda prova definitivamente que…

Precisamos de um filme solo do Hulk!

Hulk

Ou melhor: precisamos de um filme solo do Hulk com Mark Ruffalo vivendo o personagem e perfeitamente integrado no UCM. Em Thor: Ragnarok, Hulk é glorioso nas cenas de combate e é diversão pura em todos os momentos, especialmente quando compartilha a cena com o deus do trovão.

Quando finalmente vemos Hulk pela primeira vez em Ragnarok, relembramos o porquê dele ser um dos super-heróis mais lendários da Casa das Ideias. Assistir a Hulk transformado em gladiador ou em fera total, é ver as páginas dos quadrinhos ganharem vida na telona. E nas breves ocasiões em que recai a luz sobre a humanidade obscurecida do gigante verde, sentimos o quanto existe para explorar com todo o tempo e dedicação de um filme solo.

Marvel e Mark Ruffalo, por favor, façam isso acontecer!

Hela não é mais uma vilã para esquecer

Hela

Os vilões dos filmes Marvel não têm a melhor das reputações em matéria de carisma ou desenvolvimento de personagem. Mas Hela, a deusa asgardiana da morte, foge felizmente a esta “maldição” graças a uma interessante construção do seu passado e das suas motivações. É notório o quanto a atriz Cate Blanchett se divertiu nesse papel, encarnando esta figura mitológica com a dose certa de elegância e agressividade.

Thor tem finalmente o filme que merece

Thor: Ragnarok

Durante muito tempo, os filmes do deus do trovão eram considerados os mais fracos ou mais desinspirados do universo Marvel. É curiosamente no fim dos tempos asgardiano que o filho de Odin ganha a sua redenção, mostrando finalmente sua voz própria e marcando pela diferença.

Este pode não ser o filme sério que muitos fãs fiéis dos quadrinhos gostariam de assistir no cinema, mas é inquestionavelmente um filme digno de Thor.