Crítica Homem-Aranha De Volta ao Lar: o renascimento do herói

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é um dos filmes mais aguardados de 2017 – mas será que cumpre as expectativas? Entre na nossa teia e confira a nossa crítica sem spoilers!

O Amigão da Vizinhança pulou das páginas para as telonas

Esse é realmente o filme que os fãs do Homem-Aranha sempre esperaram. Em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, temos a combinação perfeita entre o herói das ruas e o adolescente tentando fazer o seu melhor, buscando encontrar um equilíbrio entre as duas facetas da mesma vida.

Homem-Aranha

Esse conhecimento profundo do personagem está visível em todo o filme, cuidadosamente criado para balançar as necessidades de se encaixar no Universo Cinematográfico Marvel e ainda assim contar sua própria história. Essa missão não podia ser mais bem-sucedida, contrariamente ao que se poderia esperar desta nova parceria Sony / Marvel.

Quem cresceu lendo as histórias de Peter Parker vai reconhecer todo o humor e coração dos seus quadrinhos, em um filme que tem um espírito de esperança e diversão como poucos do UCM.

Tom Holland é perfeito para o papel

Tom Holland

O garoto que roubou todas as atenções em Capitão América: Guerra Civil prova agora definitivamente que nasceu para ser o Homem-Aranha. Tom Holland é um Peter Parker perfeito, mostrando toda a sua vulnerabilidade e entusiasmo próprios de um adolescente que subitamente virou um super-herói.

Essa inocência de garoto é algo que Holland mostra também fisicamente no seu Homem-Aranha. Fica claro que o ator não tem nenhum problema em usar a comédia física nos momentos mais inesperadamente hilários como super-herói lutando contra o crime. Em ambos os lados do mesmo personagem, a dedicação de Holland é infalível, sendo tão bom que chega a ser impossível dividir o seu Peter Parker do seu Homem-Aranha.

Finalmente um vilão memorável depois de Loki

Abutre

Demorou a chegar, mas finalmente apareceu um vilão tão bom como Loki. A construção emocional de Adrian Toomes é até mais refinada que no caso do deus asgardiano, graças ao significado das suas motivações e personalidade.

Antes de se transformar no Abutre, Adrian Toomes era um homem comum da classe operária e cumpridor da lei. Só que em um mundo que tem de lidar com as consequências das batalhas entre super-heróis poderosos e inimigos vindos do espaço, o homem comum está em desvantagem. Mas Toomes descobre como tirar proveito de uma situação que provavelmente o atiraria para a ruína, e constrói seu império nas sombras dos Vingadores.

E aqui reside um dos melhores elementos do longa: a sua integração com todo o universo Marvel. Ao contrário de outros filmes com várias referências supérfluas, Volta ao Lar constrói a base para o seu roteiro com as consequências que as ações dos heróis tiveram na vida das pessoas normais.

Se em Guerra Civil vimos as consequências nos poderosos através dos Acordos de Sokovia, em Volta ao Lar temos o impacto no cidadão comum. E é nesse caos que homens como Adrian Toomes podem ver todo o seu mundo virar de pernas para o ar. Com estas motivações e o trabalho sensacional de Michael Keaton com o personagem, Abutre facilmente se transforma em um vilão marcante do UCM.

Homem de Ferro e humor na dose certa

Homem-Aranha e Tony Stark

Para todos aqueles que temem que o Cabeça de Teia fosse um simples ajudante de Tony Stark nesse filme, temos algo a dizer: podem respirar de alívio. Homem de Ferro não ofusca Peter Parker em momento nenhum e sua estadia nunca se prolonga mais do que o necessário.

Ao contrário do que os trailers mostraram, Tony Stark surge apenas na medida certa e a marcar as mudanças de capítulo no desenrolar do filme. É inevitável que Stark seja uma presença forte no filme mas é apenas como o ídolo de Peter, um adolescente querendo impressionar e se esforçar para ser como o herói que admira.

O humor em Homem-Aranha: De Volta ao Lar é uma presença constante mas sempre em linha com a tradição do super-herói nos quadrinhos. Por exemplo, Parker sempre teve como característica ser um tagarela zoeiro durante os combates, e o filme mostra bem essa faceta do Teioso. Mas o humor do roteiro vai além do protagonista e vem em várias formas: seja na curiosidade adorável de Ned (Jacob Batalon), no sarcasmo de Michelle (Zendaya) ou até com a seriedade de um professor traumatizado como Mr. Harrigton (Martin Starr).

A importância da escola no filme

Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Uma das melhores partes de Volta ao Lar são as cenas da escola ou com o grupo de alunos que fazem parte da vida de Peter. Existe uma autenticidade em esse elenco e no cotidiano típico de uma escola, sem cair nos dramas habituais de histórias de adolescentes.

Em nenhum momento se sente que este lado da vida de Peter é forçado ou que apenas existe como âncora que prende o herói. O mundo escolar e o ambiente adolescente são uma verdadeira lufada de ar fresco no Universo Cinematográfico Marvel, introduzindo a vertente urbana e de pés assentes na terra que tem faltado nos últimos filmes.

Peter Parker pode ter se tornado o Homem-Aranha mas, tal como seu amigo Ned lembra, ele ainda é um garoto.

O que não funcionou

Flash Thompson

Abutre pode ser um grande vilão mas os outros personagens do lado errado da lei não podiam ser menos memoráveis. Infelizmente o filme desperdiça vilões com potencial como Shocker ou o Escorpião, algo que é especialmente desastroso quando este último é interpretado pelo fantástico Michael Mando de Better Call Saul.

Phineas Mason, o Consertador, parece ser meramente decorativo nas cenas e seu papel podia facilmente receber outro nome que não um dos gênios dos quadrinhos. Por último, Tony Revolori não convence como Flash Thompson. Em uma versão atualizado para os dias de hoje, não se entende bem o que é suposto este Flash ser, agora que já não é um bully típico.

O melhor filme do Homem-Aranha

Homem-Aranha

O público e a crítica podem se ter questionado sobre a necessidade de haver uma terceira saga do Teioso em menos de 20 anos. Mas Homem-Aranha: De Volta ao Lar é a resposta perfeita a essa pergunta. O filme entende o personagem, respeita o legado dos quadrinhos e abre caminho para uma atualização dos nossos dias – tudo isso enquanto integra o super-herói num universo cinematográfico sólido.

Não precisávamos de mais uma história de origem, de aranhas geneticamente modificadas ou de um tio Ben falando das responsabilidades; o que precisávamos era de assistir à esperança e alegria puras que só um herói como o Homem-Aranha sabe transmitir.

O foco nas ruas, nas pessoas comuns e nas consequências de um mundo ameaçado pelos “super” são temas que o filme entrega com sinceridade sem nunca comprometer a diversão.

E depois de aventuras cósmicas, viagens místicas e de uma guerra civil, o que mais podíamos pedir?