Chernobyl | Descubra os mitos e as realidades da série!

Recontar a história do desastre nuclear de Chernobyl pode ser um exercício bastante duro para qualquer pessoa e por isso que é natural que dependendo das versões da história existam algumas incongruências.

A minissérie da HBO, apesar de ter sido amplamente elogiada pela crítica romantiza um pouco a realidade do que se passou na cidade de Pripyat durante e depois daquele que é ainda hoje conhecido como o maior dessaste nuclear da história da humanidade.

Neste artigo vamos revelar algumas dos mitos e realidades que a série da HBO nos conta ao longo dos seus cinco episódios.

MITO: O fogo de Chernobyl todas as horas lançava mais do dobro de radiação do ataque a Hiroshima

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Tanto o desastre nuclear de Chernoby como o ataque a Hiroshima foram duas catástrofes de dimensões gigantescas. Mas segundos vários cientistas é difícil comparar o nível de radiação de ambos eventos.

Em Hiroshima o maior problema para a saúde dos humanos era causado pela exposição direta à radiação. Quando uma bomba nuclear explode o nível de radiação absorvido é determinada pela distância a que a pessoa está do local da explosão.

Já em Chernobyl o material radioativo circulava pela atmosfera, sendo espalhado por uma área enorme durante um longo período de tempo.

REALIDADE: Os soviéticos tentaram usar robôs para limpar a zona contaminada, mas foram obrigados a usar humanos

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Durante uma cena chocante do quarto episódio de Chernobyl, vários homens retiravam destroços de grafite radioativa do telhado do reator número quatro. Na realidade esses mesmos homens tiveram de limpar mais de 100 toneladas de destroços radioativos.

Numa conferência em 1990, Yuri Semiolenko o homem que supervisionou as limpezas disse que os Soviéticos inicialmente tentaram limpar a zona com robôs, mas quando as máquinas começaram a avariar por causa da atmosférica tóxica, eles tiveram que optar por usar humanos.

MITO: Uma física chamada Ulana Khomyuk ajudou a organizar a limpeza da zona contaminada

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Uma das protagonistas da série chamada Ulana Khomyuk é uma personagem fictícia que nunca existiu na realidade. Os produtores da série decidiram criar esta personagem de forma a representar os diferentes cientistas nucleares envolvidos na limpeza da área contaminada.

Curiosamente esta é ainda uma forma de representar a forma progressista que caracterizava os Soviéticos nas áreas da ciência e da medicina, onde existiam várias mulheres trabalhando. Contudo o personagem Valery Legasov - Cientista Chefe da série - é bem real, tendo se suicidado em 1988.

REALIDADE: Os soviéticos ordenaram vários soldados a disparar sobre animais que podiam transportar radiação para outras zonas

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Numa das cenas mais arrepiantes do quarto episódio da série, três soldados soviéticos são ordenados a abater todos os animais que estivessem na área do desastre.

Após 36 horas do desastre os habitantes de Pripyat apenas tiveram 50 minutos para evacuar a cidade, tendo que deixar todos os seus animais de estimação pelo caminho. Esses habitantes pensavam que voltariam à cidade passados três dias, mas isso na realidade nunca aconteceu e os seus animais acabaram por ser abatidos.

Atualmente ainda existem vários cães em Chernobyl, mas muito poucos conseguem passar dos 6 anos de idade, acabando por morrer de envenenamento por radiação.

MITO: Depois do desastre uma explosão causada pelo excesso de vapor poderia ter deixado a Europa inabitável

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No segundo episódio de Chernobyl, Khomyuk informa os oficiais soviéticos que uma segunda explosão poderia acontecer, com a força de duas a quatro megatoneladas.

O poder dessa explosão seria capaz de dizimar por completo as cidades de Minsk e de Kiev e a radiação ia se espalhar um pouco por toda a Europa.

Contudo este era um cenário puramente hipotético, pois várias variantes teriam que se alinhar para que isso acontecesse. Cientistas afirmam que uma explosão com 2 megatoneladas de poder foi puramente um exagero por parte dos roteiristas da série.

REALIDADE: Um jovem bombeiro com uma mulher grávida morreu passados poucos dias do desastre nuclear

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Um bombeiro chamado Vasily Ignatenko e a sua mulher Lyudmilla tinham previsto viajar para Bielorrússia na manhã do desastre de Chernobyl, mas isso nunca aconteceu pois Vasily foi chamado para ajudar a apagar o fogo na central nuclear por volta das 01h30.

O seu marido nunca regressou, pois foi severamente envenenado por radiação e internado no Hospital. Quando Lyudmilla foi ao hospital para o visitar ela mentiu sobre a sua gravidez, pois a radiação poderia ser fatal para o bebé.

Vasily morreu passado 14 dias do dessaste e foi sepultado dento de um caixão de zinco. Lyudmilla chegou a dar à luz a criança, mas esta morreu passado 4 horas do seu nascimento.

MITO: Um helicóptero caiu por voar muito perto do reator número quatro

O helicóptero que se caiu durante o episódio dois não é totalmente um mito, pois este acabou por cair passado duas semanas do desastre e não logo após umas horas como o episódio dá a entender.

O episódio ainda mostra que o helicóptero caiu por causa da radiação, mas na realidade ele foi derrubado por bater contra uma grua de construção.

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