Blade Runner: Edward James Olmos explica simbolismo dos origamis!

Edward James Olmos esteve presente na Comic-Con Portugal 2017 onde falou de sua carreira, de seus projetos e particularmente do simbolismo da sua cena única em Blade Runner 2049 e dos origamis de Gaff.

Cuidado com spoilers para Blade Runner - O Caçador de Andróides e Blade Runner 2049.

Explicando os origamis

origami

Olmos explicou, então, a importância dos origamis de Gaff no entendimento dos personagens:

"Quando eu assisti (Blade Runner 2049) pela segunda vez, eu percebi que a coisa mais importante que eles poderiam ter feito foi me incluir naquela única cena. (...) Joe, o personagem de Ryan Gosling, está procurando por si próprio e ele está pensando, quando ele se encontra comigo, que algo mais se passa e que ele poderá ser o filho de Deckard e Rachel. Naquela situação, é isso que ele está pensando mas não consegue entender muito bem, e o que é que eu faço? Ele vem até mim e eu digo “não sei nada sobre nada. Eu sou aquele que deveria saber mas agora, 20 anos depois, eu não sei onde ele está”. (...) Mas mesmo no final, eu coloco uma ovelha, uma peça de origami que estou trabalhando, e alguém sabe alguma coisa sobre as raízes deste projeto? É baseado em Androides Sonham com Ovelhas Elétricas? E isso é o que ele é, ele é – e eu não digo isso para ele – um replicante. E ele sabe que é mas está pensando que pode não ser. Quando ele me procura está pensando se ele é ou não é."

Aí, o ator revela a verdadeira natureza de Deckard e o importante papel de Gaff no seu entendimento:

"Eu fiz o mesmo a Deckard. Mesmo no final eu mostrei para ele o unicórnio. Eu coloquei ali o unicórnio e sabem que mais? Todos vocês ficaram surpreendidos, todos vocês pensaram 'Deckard é um replicante?'. Até ele, Harrison Ford, ficou irado. Quando ele assistiu o filme ele disse 'isso é uma bosta! Eu não sou um replicante!"

Elogiando Blade Runner 2049

2049

O ator elogiou Blade Runner 2049, mesmo embora o filme tenha sido considerado um "fracasso" nas bilheterias:

"Isso aí é icônico, é melhor do que o original. As pessoas me perguntam “o que é que você está dizendo? O original é muito superior”. Se você olhar o original, ele o leva para esse mundo, mas apenas para uma pequena porção. Este é muito maior. Ou seja, ele leva você até ao exterior do interior das salas onde Ridley o colocou. Você ficava em Los Angeles e nunca saía de Los Angeles. Aqui, você começa tendo percepção do resto do planeta. Eu fiquei muito contente com esse novo (filme). Eu acho Dennis Villeneuve, o diretor, um gênio, ele é muito bom. E eu estou agradecido que ele tenha feito o filme."

Olmos continua falando do seu entendimento e da importância de sua cena no segundo filme: 

"Eu recebi o telefonema para esse papel uma semana antes de partir e faltavam apenas 10 dias para acabarem as filmagens quando lá cheguei. Por isso, eu não sabia nada da trama. E eu pensei que eles só se haviam lembrado no final de me incluir. E depois eu assisto o filme pela primeira vez e era muito avassalador, eu não consegui pensar porque era muito intenso, com muitas imagens visuais. (...) Da segunda vez que assisti o filme consegui retirar muito mais dele, eu fiquei muito agradecido por ter feito aquela cena. Finalmente, quando eu o assisti novamente, consegui percorrer dentro do personagem e entender os outros personagens mais do que ficar apenas espantado com as imagens. Se você apenas assistiu esse filme uma vez então você o perdeu. Você não vai entender. E o mesmo acontece com Blade Runner - O Caçador de Andróides. Blade Runner foi um fracasso quando saiu. O original? Falhou. O público assistiu mas não ficou “wow”. Agora o filme se tornou icônico."