Conheça os 10 melhores filmes de Doppelgängers (Sósias)

Com o sucesso do novo filme de Jordan Peele Nós que se foca em uma família que encontra seus sósias sinistros, o subgênero do doppelgänger viu uma renovação do interesse do público.

Explorado em contos populares e na literatura e, a partir do século XX, no cinema, esse é um dos temas mais trabalhado pelo imaginário coletivo de todo mundo.

Confira então os dez melhores filmes sobre duplos sinistros!

10. A Dupla Vida de Véronique (1991)

véronique

Irène Jacob faz um trabalho incrível representando Weronika, uma cantora polaca, e Véronique, uma professora de música francesa, e a conexão entre as duas mulheres através da música. O diretor Krzysztof Kieslowski utiliza o som e a imagem para criar uma obra, que tenta mostrar essa ligação inexplicável.

O resultado é um filme misterioso e complexo, mas articulado de forma perfeita e hipnótica. 

9. O Homem Duplicado (2014)

homem duplicado

O Homem Duplicado é uma adaptação de Denis Villeneuve do romance de José Saramago com o mesmo nome. O filme é assustador e sombrio e conta com Jake Gyllenhaal como protagonista.

O personagem principal é o professor de história Adam que descobre, após assistir a um filme, que um ator em um papel secundário parece ser seu doppelgänger e resolve o procurar.

Á medida que a trama se desenrola, o público vê várias imagens estranhas de aranhas e teias, que parecem saídas de alucinações, tornando O Homem Duplicado não só em uma boa adaptação do livro original, mas também em uma experiência saída de um pesadelo ou fantasia sombria.

8. O Inquilino (1976)

inquilino

O filme fantasmagórico de Roman Polanski usa várias convenções do gênero do terror para transformar a história de seu personagem em um pesadelo. Trelkovsky (representado pelo próprio Polanksi) é o protagonista da história e é recentemente relocado em um apartamento em Paris.

Baseado no romance de Roland Topor Le Locataire Chimérique, o filme leva ao extremo sentimentos como o medo e a instabilidade mental, se transformando em uma experiencia enervante, onde os novos vizinhos de Treikovsky são retratados como pessoas bizarras e excêntricas.

Além disso, o edifício parece assombrado pelo suicídio da antiga residente do apartamento, causando o aumento do pânico em Treikovsky e também na audiência.

7. A Estrada Perdida (1997)

estrada perdida

A Estrada Perdida é um dos filmes de David Lynch com maior polaridade de opiniões, oferecendo quase nada em termos de elucidação, enquanto seguimos a história de um assassino condenado Fred Madison que se transforma no mecânico Pete Dayton.

O filme é um mistério envolvendo voyeurismo, sexo desviante, traição e cenas surreais. Não só os personagens principais são um par bizarro de duplos, mas também as duas protagonistas femininas Renee Madison e Alice Wakefield (representadas por Patricia Arquette) parecem ser versões da mesma pessoa.

6. Gêmeos - Mórbida Semelhança (1988)

gêmeos

David Cronenberg conta a história de uma ligação perturbadora entre dois irmãos gémeos. Inspirado na história real de Stewart e Cyril Marcus, esse filme de terror psicológico segue o dia-a-dia dos dois gémeos idênticos, ginecologistas respeitáveis, que começam sua decaída mental e profissional quando um deles se apaixona por uma paciente.

Jeremy Irons tem a difícil tarefa de representar os dois personagens, um manipulador e o outro sensível, mas todo o esforço valeu a pena para criar este fantástico filme de terror corporal e depravação sexual.

As pequenas diferenças em expressão e postura nos dois personagens, conseguem ser elementos importantes no desenrolar da história.

5. Possessão (1981)

possessão

O filme de terror de Andrzej Zulawski conta a história do casal Mark e Anna quase perto do divórcio. Enquanto o comportamento de Anna começa a ficar cada vez mais errático e maníaco, Mark começa a sair com outra mulher Helen que é exatamente igual a sua esposa, exceto pela cor dos olhos.

À medida que a trama progride e as situações escalam de forma perturbadora, a charada psicológica se torna impossível de prever, mantendo o público colado na cadeira.

4. Solyaris (1972)

solyaris

O psicólogo Kris Kelvin é enviado para uma estação espacial distante na órbita do misterioso planeta Solyaris. Os cosmonautas na estação estão psicologicamente abalados e Kris rapidamente descobre que Solyaris materializa formas humanas baseadas nas suas memórias da Terra.

A aparição de Hari, uma doppelgänger de sua ex-mulher que cometeu suicídio anos antes, perturba seus planos e o leva em uma viagem emocional. É sem dúvida uma experiência única que vai deixar o público sem saber o que pensar, enquanto o estado físico e mental dos personagens começa a ficar cada vez mais abalado.

3. Cisne Negro (2010)

cisne negro

Considerado o melhor filme de Darren Aronofsky, Cisne Negro é um thriller sombrio sobre duas bailarinas Nina e Lily e rivais, durante a produção do ballet O Lago dos Cisnes. O filme é desconcertante e estranho, com uma cinematografia claustrofóbica e performances brilhantes.

Nina é uma bailarina profissional que vive a vida da forma mais correta e responsável possível, vivendo em casa com sua mãe abusiva psicologicamente e que a trata como a uma criança. Presa em uma vida de regras restritas e opressão, ela acaba abraçando seu lado negro ao ser escolhida como protagonista no ballet O Lago dos Cisnes.

2. Persona (1966)

persona

O filme de Ingmar Bergman começa com uma enfermeira acompanhando uma paciente, uma atriz, até uma ilha quando esta deixa de falar completamente. Essa narrativa bizarra acaba por se revelar em uma meditação sobre a dualidade em si mesmo.

Bergman consegue pegar em suas duas atrizes Liv Ullmann e Bibi Andersson e gradualmente as transformar mais similares uma á outra durante o curso do filme, até que suas identidades acabam se misturando.

Persona, a palavra latina para “máscara”, reflete a teoria do psiquiatra Carl Jung que propõe que as pessoas projetam uma imagem pública para se protegerem e isso essencialmente se torna em um papel que representam. Esse conceito é exibido nos comportamentos das mulheres durante o filme. 

1. Um Corpo que Cai (1958)

vertigo

Considerado por muitos no melhor filme de sempre, Um Corpo que Cai de Alfred Hitchcock é um dos longas mais populares desta lista. O ambiente perturbador de todo o filme é atribuído à forma como a doppelgänger é representada na trama.

James Stewart é John Scottie Ferguson com uma obsessão doentia por uma mulher e, posteriormente, sua sósia. O filme é no fundo um estudo da psique danificada de Scottie e como sua história acaba seguindo um curso pouco convencional.

Um Corpo que Cai é um mistério criado de forma poética, com Hitchcok usando a cor de forma extraordinária e com representações brilhantes de James Steart e Kim Novak.

Origem do subgênero

moon

Originando da palavra alemã que significa “duplo”, o terror dos doppelgängers conta histórias de pessoas normais que encontram noutra o seu sósia. Esse tema existe no folclore germânico desde sempre, em que é acreditado que ao encontrarmos nosso doppelgänger isso significa que nossos dias estão contados.

Esse tipo de tramas existe também em filmes de ficção cientifica como Lunar (2009) ou Solyaris (1972), mas é como um subgênero do terror que faz mais sucesso, pois existe realmente algo muito perturbador em nos vermos a nós próprios do exterior, normalmente manifestando nossos próprios medos ou desejos reprimidos.

A história do subgênero no cinema

metropolis

Claro que os doppelgängers começaram aparecendo no cinema logo desde os seus inícios nos anos 20 e 30 em filmes como O Médico e o Monstro (1931) ou Metrópolis (1927), em que uma mulher-robô é criada como dupla de uma das personagens principais.

Durante os anos 40 e 50, em plena Era Atômica do cinema estado-unidense, foi a ficção cientifica que pegou no subgênero, criando filmes como Vampiros de Almas (1956), em que se focavam na paranoia que existia sobre a nossa própria identidade.

Foi a partir dos anos 70 e 80, que o gênero começou a ganhar mais popularidade, em filmes como A Luta de Um Homem (1970) ou o clássico sinistro de Roman Polanski O Inquilino (1976). Esse filme em particular consegue criar um ambiente altamente claustrofóbico de perda de identidade.

Possessão (1981) e O Enigma do Outro Mundo (1982), já nos anos 80, estabeleceram definitivamente a popularidade do gênero na cultura moderna.

Mulholland drive

Nos anos 90, os doppelgängers ganharam um novo fôlego e uma nova visão distorcida com os filmes A Estrada Perdida (1997) e Cidade dos Sonhos (2001), de David Lynch. Aqui, não só as identidades dos personagens e seus duplos são ambíguas mas também todo o espaço/tempo das narrativas apresentadas.

Atualmente, seguindo também as preocupações mais modernas da sociedade, vemos filmes como Cisne Negro (2010), O Homem Duplicado (2014) e Nós (2019), em que seus duplos são nada menos do que a externalização de seus desejos subconscientes dos personagens.