Crítica Demolidor: A 3ª temporada que os fãs queriam e precisavam

A complexidade emocional de heróis e vilões e os laços de amizade que tanto fizeram os fãs gostar da primeira temporada. Um novo personagem de humor ácido e extremamente carismático. Flashbacks com mais revelações sobre o passado de personagens já queridos. Temas importantes, redenções, episódios de deixar qualquer espectador nervoso e muita ação! A terceira temporada de Demolidor tem tudo isso.

Embora algumas cenas tenham parecido desnecessárias e um plano específico tenha ficado meio confuso, o novo ano da série recupera o clima e todos os méritos da aclamada primeira temporada e, com certeza, é um sopro de alívio (e bom entretenimento) para aqueles que lamentaram o cancelamento de duas séries Marvel-Netflix nos últimos dias.

As informações abaixo contêm spoilers leves da terceira temporada de Demolidor.

Um herói em depressão

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Sim, pela primeira vez na televisão, vemos uma série de super herói na qual o protagonista tem mais um perigoso inimigo a combater: a depressão. A terceira temporada de Demolidor tem início exatamente na última cena de Defensores. Após milagrosamente sobreviver à implosão do prédio, Matt se recupera fisicamente aos poucos, mas contabiliza grandes perdas.

A perda da mulher que amava, da audição de um dos ouvidos e do olfato o deixam desolado e se sentindo fisicamente limitado como há muito não se sentia. Mas, principalmente, o advogado perdeu a fé nas duas coisas em que mais acreditava e que mais o davam força: na justiça pela lei e em Deus.

Sem grande parte do que construía sua identidade, Matt quase se entrega algumas vezes, chegando a considerar a morte. Seu desespero, contudo, em não deixar Fisk machucar mais ninguém e o apoio de seus amigos o mantêm de pé. E, claro, a Irmã Maggie é fundamental!

Personagens novos

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Três personagens muito se destacam entre os novos nomes que vemos na temporada. Já uma das preferidas da série, a Irmã Maggie é responsável por cenas de alívio cômico, mas também de drama (quem é fã dos quadrinhos, sabe do que estamos falando) e da abordagem de mais um tema relevante: depressão pós-parto.

O agente especial Ben "Dex" Pointdexter, por sua vez, garante várias das cenas em que o espectador não consegue desgrudar os olhos da tela. Cenas de lutas quase impecáveis envolvidas na psicopatia do personagem compõem boa parte da ação da temporada. E é no mínimo eletrizante vê-lo transformar qualquer objeto em uma arma!

Já o agente do FBI Ray Nadeem tem um desenvolvimento interessante. Após assistirmos aos episódios torcendo para que ele se revele um dos bonzinhos, Ray comete grandes erros, mas definitivamente surpreende no final.

A consagração do Rei do Crime

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O terno branco acetinado, o apelido usado entre aqueles já sob seu domínio e o reino de crimes que consegue construir desde que estava na prisão confirmam: o Wilson Fisk da terceira temporada é oficialmente o Rei do Crime.

A trama ao seu redor e a teia de poder que tece para dominar tudo e todos é mais uma vez um ponto que conquista a atenção do espectador a todo o momento, estimula teorias e desconfianças e ainda assim surpreende.

Personagens complexos

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A primeira temporada de Demolidor teve como um de seus pontos altos a exploração da complexidade tanto do herói quanto do vilão. Quisemos colocar Fisk no colo, mas também desejamos muito mal a ele (a segunda opção mais vezes que a primeira, verdade seja dita).

Isso está presente mais uma vez no terceiro ano da série. Mesmo um psicopata como o Bullseye/Mercenário é digno de pena repetidas vezes. Fica o destaque também para a forte atuação de Wilson Bethel, responsável por incorporar o icônico vilão.

Para tanto, a série investe mais uma vez em flashbacks, por meio dos quais apresenta as nuances de cada personagem e traz histórias de origem para cada um. Dex, Karen e Irmã Maggie foram alguns cujo passado foi revelado ao público.

Escolhas e redenção

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Dex, Irmã Maggie, Karen, Foggy e Matt. Todos têm seu passado explorado, de modo a fazer o espectador entender o que os levou até ali. O que se destaca, contudo, é a percepção de que, mais do que seus traumas, suas escolhas traçaram seus destinos.

Inclusive, vários personagens são submetidos à difícil escolha entre proteger sua família ou combater Fisk e salvar outras vidas. São essas decisões que os definem. Mas são essas condições que deixam o espectador sem saber como julgá-los.

Vários heróis

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Matt Murdock com certeza é um herói e o dono da série. É o único, porém? Nem de perto! Se já vemos um herói mais humanizado em Matt em todas as vezes em que tanto se machuca física e emocionalmente, o que dizer daqueles que não têm habilidades para se defender como ele e, ainda assim, colocam a vida em risco para tentar ajudar?

Foggy, Karen, Irmã Maggie, Padre Lantom, Ray, Seema, Detetive Mahoney, Melvin. Todos esses colocaram suas vidas em risco (dois deles se sacrificam!). Todos com habilidades diferentes, nenhum com super poderes.

Mesmo o que é previsível surpreende

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Série boa é série que provoca mil teorias e ainda assim surpreende. Mesmo aquelas suposições sobre mortes e revelações que, de fato, se concretizam são acompanhadas por cenas que deixam o espectador grudado ao sofá de nervoso.

A violência, inclusive, de muitas dessas cenas justifica a série ser para maiores de 18 anos.

Cores, ângulos e referências

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A Netflix e a Marvel já demonstraram gostar de usar diferentes técnicas para estabelecer o tom de cada uma de suas séries. E com a terceira temporada de Demolidor não foi diferente.

Câmeras usadas frequentemente em ângulos bem próximos à posição de primeira pessoa aumentam a tensão do espectador. Já a predominância da cor vermelha em várias das cenas deixam a identidade do herói marcando os episódios.

Um exemplo é quando o Mercenário invade a igreja do Padre Lantom. A batalha que se segue é fortemente marcada pela cor vermelha e por referências aos quadrinhos - vide a capa da HQ A Queda de Murdock, na qual o herói aparece salvando Karen em frente a um vitral no qual uma freira é retratada.

Avocados in Law

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Ao nervosismo provocado por todos os acontecimento ao redor de Matt, Karen e Foggy, adiciona-se a ansiedade que a série nos faz sentir para vê-los trabalhando juntos novamente. Individualmente, tanto os atores como seus personagens brilham, transmitindo um desespero e uma solidão que não os impedem de seguir lutando contra Fisk.

Com 13 episódios, mais uma vez a série faz com que o espectador se sinta assistindo mais a um filme de 13 horas que a uma série de televisão. Com qualidades que nos conquistaram no primeiro ano e novos personagens, recursos e arcos que nos deixam ansiosos por um quarto ano, a terceira temporada de Demolidor garante o sentimento que os fãs precisavam para torcer e exigir a renovação da série.