Crítica Guardiões da Galáxia Vol. 2: uma viagem imperdível para os fãs

Os Guardiões da Galáxia aterrissaram novamente nos cinemas de todo o mundo e nós não faltamos à chamada. Agora que assistimos ao segundo volume da saga intergaláctica da Marvel, falta responder à pergunta: a viagem continua valendo a pena?

Coloque o cinto de segurança, traga o seu walkman e se prepare para nossa crítica sem spoilers.

Salvando a galáxia novamente (e eles mesmos)

Guardiões da Galáxia Vol. 2

O segundo volume dos Guardiões da Galáxia encontra os heróis poucos meses após os eventos do primeiro filme. Eles continuam iguais a si mesmos, mas agora têm a fama de terem salvado a galáxia. Claro que isso não os impede de caçarem prêmios e se dedicarem a missões como heróis de aluguel intergalácticos.

Mas o coração do filme é muito mais que as suas aventuras espaciais. É a exploração das relações entre todos eles, das suas origens, daquilo que os tornou aquilo que hoje são. E tudo isso vai obriga-los a se perguntarem: “o que é uma família?”

Visualmente impressionante

Guardiões da Galáxia Vol. 2

Não há como negar. Este filme é mais um passo que a Marvel toma na direção do fantástico, de um visual verdadeiramente épico. O primeiro filme já tinha deixado a sua marca em termos visuais, mas a questão atual seria se conseguiria impressionar em um mundo pós-Doutor Estranho.

E sim, Guardiões da Galáxia Vol. 2 impressiona sem margem para dúvidas. Desde o planeta exuberante de Ego, até aos interiores dourados dos Soberanos, todos os detalhes foram claramente pensados nesse filme.

Entre nessa viagem emocional

Guardiões da Galáxia Vol. 2

Vol. 2 continua a tradição iniciada pelo seu antecessor em ser uma das histórias com mais coração no Universo Cinematográfico Marvel. Se no primeiro filme houve um foco grande na ligação entre Peter Quill e sua mãe, neste segundo volume vemos o Senhor das Estrelas conhecer o seu pai.

A exploração dessa nova ligação serve como ponto de partida para todos os outros Guardiões questionarem as suas dinâmicas internas. Desde a relação de Gamora com Nebulosa, as semelhanças que aproximam Rocket a Yondu, a ligação inusitada entre Drax e Mantis e o baby Groot unindo todos com sua fofura ameaçadora.

O destaque entre todos esses personagens vai para Yondu e Rocket Raccoon. O pai adotivo de Peter Quill se torna uma figura verdadeiramente central em toda a história e vemos a exploração do seu passado sob uma luz que desconhecíamos. Michael Rooker tem um desempenho à altura, sabendo equilibrar todas as nuances do seu personagem e mostrando que é um ator que merece muito mais reconhecimento.

Rocket Raccoon, o guaxinim que odeia que o chamem disso, não está só nesse filme como figura de comédia. Juntamente com Yondu, Rocket é um dos personagens que mais cresce com esse filme. A jornada do herói rabugento não retira a ele as suas características únicas, mas lhe confere uma dimensão emocional inesperada.

Karen Gillian vê também ser feita justiça à sua Nebulosa. A vilã do primeiro filme tem a chance de mostrar o seu lado e descobrimos muito mais sobre a relação das duas filhas de Thanos, e a profundidade do sadismo do seu pai.

Os novos personagens são (quase todos) marcantes

Ego, o Planeta Vivo

Alguém chamado Ego seria sempre maior que a vida. E Kurt Russell entrega um personagem profundamente carismático, alguém que é o complemento perfeito para Peter Quill. A mitologia criada à volta de Ego poderia facilmente cair no ridículo se não fosse o roteiro inteligente de James Gunn e a segurança na atuação de Russell. Se você ainda não entende como um planeta pode ser pai de alguém, acredite que vai adorar a explicação do filme.

Pom Klementieff é uma dádiva que chega sob a forma da adoravelmente estranha Mantis. A atriz abraçou toda a excentricidade da personagem e é notório o quanto se dedicou a sua criação.

A Alta Sacerdotisa Ayesha, interpretada por Elizabeth Debicki, e todo o seu povo geneticamente perfeito são a oposição da rebeldia e inconsequência dos Guardiões. Embora interessantes, fica a sensação que assistimos apenas à introdução destes personagens, mas sem a devida exploração da sua importância na galáxia.

Sylvester Stallone foi uma das maiores surpresas do filme. A forma como ele agarrou os poucos segundos que teve, fizeram do seu Stakar Ogord um personagem do qual todos queremos saber mais. O ator veterano estava claramente integrado dentro da mitologia do filme e a sua dedicação não deixou dúvidas.

Trilha sonora e o humor no ponto certo

Você pode não acreditar, mas a trilha sonora deste filme é ainda melhor do que a do primeiro. Cada música foi claramente escolhida com muito cuidado, adequada às cenas e às emoções dos personagens. Mais uma vez, a saga explora a ligação musical de Peter através da sua mãe de uma forma muito especial. E nós só temos que agradecer ao excelente gosto musical de Meredith Quill.

O senso de humor continua perfeito, as gargalhadas continuam a surgir facilmente e existe a dose certa de bebê Groot para continuarmos a achá-lo adorável e divertido. O tom do filme é colocado bem no início, com sua cena de créditos iniciais: raras vezes assistimos a uma cena dessas tão divertida.

Pode comparar-se ao primeiro?

bebê Groot

Com todas as expectativas criadas, era impossível que Vol. 2 estivesse à altura do original. O primeiro filme tinha o elemento da surpresa do seu lado, com poucos conhecendo a história dos Guardiões ou as capacidades de James Gunn.

O segundo capítulo é um filme muito divertido, com uma história emocionalmente forte e momentos de ação visualmente fascinantes. Mas não consegue superar o primeiro filme. Nem poderia nunca superar todo o hype e o fascínio criados originalmente. Mas isso não desmerece este Vol. 2 que, ainda assim, é um dos melhores filmes do UCM.

É ainda surpreendentemente muito contido em si mesmo, podendo ser visionado como um filme quase separado dos outros da Marvel. Mesmo com a Guerra Infinita à porta, James Gunn não receou em manter o seu espírito independente e fazer justiça aos seus Guardiões. E ainda bem.