CRÍTICA Vingadores: Ultimato | O carinhoso final de uma aventura de 10 anos

Depois de 10 anos de histórias sendo contadas, ninguém poderia esperar por uma conclusão para a Saga do Infinito que fosse algo menos do que épico.

Vingadores: Ultimato veio para fazer o papel de series finale, o verdadeiro ápice de toda a construção de um universo compartilhado cuidadosamente montado ao longo do tempo. E se o simples plano de misturar tantos heróis com histórias tão fascinantes numa única narrativa já soa ambicioso, criar um final que relembre com justiça o papel deles nessa jornada soa quase impossível.

Mas, se existiam 14 milhões de possibilidades de conclusão para essa saga, a Marvel Studios conseguiu escolher aquela capaz de emocionar a qualquer fã que se dispôs a acompanhar fielmente cada etapa dessa história. Talvez não seja o melhor filme já feito pelo estúdio, nem consiga tantas premiações quanto Pantera Negra, mas certamente será inesquecível pra quem acompanhou o MCU ao longo dos anos.

A crítica abaixo NÃO contém spoilers.

Seguir em frente...

Vingadores

O longa começa com o cenário apresentado nos trailers: um clima sombrio e desolador de um mundo que tenta se reerguer após a vaporização de metade das suas formas de vida. É uma melancolia que não estávamos acostumados a ver nos filmes do MCU até então.

Nesse cenário, enquanto alguns dos heróis tentam seguir em frente com as suas vidas, outros continuam apegados às consequências do estalar de dedos de Thanos. O filme trabalha bem a maneira como cada um lidou com suas perdas e não poupa tempo de tela para deixar bem claro como cada um tem motivações diferentes para tentar reverter a situação.

As reações combinam com o que ficou estabelecido de cada personagem ao longo dos 22 filmes, mesmo com alguns lidando com a situação de maneiras surpreendentes.

... Ou recomeçar?

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Depois de tudo o que se passou, vale a pena tentar outra vez parar o que é praticamente inevitável? A questão parece simples de responder quanto você perdeu tudo o que ama. Mas e aqueles que ainda tem algo a perder?

Enquanto esse dilema impera entre os heróis, uma nova chance de impedir os eventos de Guerra Infinita surge. O filme busca dentro do próprio universo previamente construído essa solução, que funciona muito bem na narrativa e não precisa apresentar um novo conceito completamente estranho.

A forma como a solução encontrada é usada é criativa e muito bem explicada, sem deixar em nenhum momento que isso se torne algo simplista ou pouco emocionante. Essa ferramenta acaba sendo tão bem utilizada que gera cenas divertidas e outras muito emocionantes.

Com uma nova chance nas mãos, mas com um time reduzido pelas perdas em Guerra Infinita, vemos o trabalho em equipe e a cooperação entre os heróis precisar ser utilizado ainda mais. Isso funciona muito bem: a sensação é de que de fato há um grupo, recheado com relações mais ou menos amistosas entre os seus integrantes.

Nós já vimos outras cenas épicas de combate em equipe ao longo dos filmes, mas Ultimato consegue apresentar sequências que ainda assim são capazes de encher nossos olhos.

As fragilidades

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Apesar de todas as suas qualidades, Vingadores: Ultimato tem pontos que poderiam ser melhor trabalhados. O principal deles talvez seja a participação da Capitã Marvel: ao contrário dos demais heróis, Carol Danvers parece nunca se encaixar de fato na ação em equipe, deixando a sensação de que a personagem está sobrando nessa história.

Apesar de ter um filme solo, parece que a Capitã Marvel chegou apenas no fim da festa e não consegue de fato se entrosar com o time. Além disso, fica claro que certas cenas foram filmadas e inseridas posteriormente no filme, algo que a edição não dá conta de tornar natural.

A forma como o Thor é retratado pode não agradar a todos: o deus do trovão perde bastante da sua aura quase incorruptível. A maneira como o personagem reagiu ao fracasso do último filme o torna muito diferente do que estamos acostumados a ver.

As joias preciosas de Ultimato

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Apesar de não ousar muito na forma como coloca os heróis a reverterem a destruição de Thanos, o filme explora o carisma e todo o background de seus personagens para criar uma obra épica. Cada um dos longas que compõe essa saga parece ter valido a pena quando vemos a forma como os elementos previamente apresentados são usados pelos diretores.

A maquiagem e os efeitos mais uma vez são capazes de tornar mudanças causadas pelo tempo extremamente realistas. Embora já tenhamos tido um vislumbre disso em Capitã Marvel, Vingadores: Ultimato usa desse recurso em diversas cenas e continua sendo simplesmente impressionante.

A sensação que se tem, do começo ao final, é de que o que está na tela é mais que um mero filme de heróis, mas uma grandiosa conclusão de uma aventura com personagens que nos ganharam com o tempo. O longa sabe usar dos laços emocionais que foram construídos ao longo dos anos.

Não foi espantoso ver as lágrimas sinceras de quem assistiu a esse belo desfecho, que coloca fim não a uma fase, mas a uma era inteira do que foi e é o Universo Cinematográfico da Marvel.

Vingadores: Ultimato é, mais do que tudo, um emocionante presente para os fãs, feito com carinho e cuidado com cada detalhe.

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