Crítica O Rei Leão | Uma homenagem à animação, mesmo com limitações

Os dias que antecederam a chegada do live-action de O Rei Leão aos cinemas foram marcados, para os fãs ansiosos, por críticas negativas e que apontavam as limitações de um filme como esse e como essas limitações influenciavam na experiência.

O que precisa ser levado em conta, contudo, é que os vários pontos positivos do filme (também apontados pela maioria das críticas, sejamos justos) podem ter um peso ainda maior se estamos falando de uma história que já acompanha gerações. Aqui a "experiência fã" conta, e muito!

Mas vamos, ponto a ponto, dar uma opinião sobre a pergunta do momento: um live-action de O Rei Leão era necessário?

As limitações

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Sim, como praticamente todas as críticas apontaram, há um preço a se pagar por efeitos que alcançam um resultado tão próximo do real: animais de verdade não têm as expressões humanas inseridas em uma animação.

É bem verdade que vários dos momentos em que o pequeno simba estava cantando animado, ele parecia ter a mesma expressão, por exemplo, de quando procurava seu rugido.

Outro ponto que foge um pouco da linha dos live-actions Disney é o fato de o longa ter adicionado bem pouco à história do desenho original, o que pode passar a sensação inclusive de que o filme é relativamente pequeno.

Mas deixa eu te contar, na hora, a gente acha pequeno porque a gente quer mais!

A magia de Jon Favreau

Jon Favreau

Se algum aficionado por cinema ainda não conhece Jon Favreau, está mais que na hora de conhecer. Ele é simplesmente o cara por trás do live-action de Mogli; da primeira série live-action de Star Wars, The Mandalorian (já renovada para uma segunda temporada, antes mesmo da estreia da primeira); do Homem de Ferro 1 e 2; além de ser o rosto do querido Happy Hogan, do Universo Cinematográfico Marvel, e daquele namorado da Mônica, lá nas primeiras temporadas de Friends.

Mas o ponto aqui é que Favreau parece entender desses universos que tanto envolvem os fãs. Se a falta de expressividade que os efeitos tão reais proporcionam aos animais pode afetar a magia Disney, então que esses efeitos sejam usados também para adicionar magia de outra forma. E ele faz isso explorando a própria natureza, o que rende cenas visualmente incríveis.

Uma homenagem à animação original

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Sim, o filme é praticamente igual à animação. Há cenas em que o longa parece se espelhar no desenho quadro a quadro. Um dos principais exemplos é o momento da apresentação de Simba (Ciclo da Vida), quando até os ângulos, as imagens de fundo e a ordem em que as diferentes espécies aparecem é similar ao que acontece na animação de 1994.

O que muda, mais uma vez, são cenas que não ficariam reais na proposta do live-action, como Simba e Nala escalando animais na hora de O que eu quero mais é ser rei, ou fileiras de hienas em formação militar se movendo ao ritmo de um Scar cantando Se Prepare.

As músicas também ganharam algumas atualizações. Mas com Hans Zimmer, Elton John, Pharrell Williams, Donald Glover e Beyoncé por traz disso, era bem difícil que o resultado fosse algo menos do que uma trilha que os fãs vão querer ouvir novamente várias vezes depois de sair do cinema.

Timão e Pumba não decepcionam!

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Não apenas não decepcionam como colocam um cinema lotado inteiro para rir. Do momento em que os carismáticos personagens aparecem até o final do filme, é difícil parar de sorrir. Billy Eichner e Seth Rogen conseguiram renovar a dupla sem que se perdesse sua essência.

Outro personagem que merece um surpreendente destaque é Zazu. O conselheiro do rei, que parecia um tanto chato na animação, ganhou nova vida na dublagem de John Oliver e teve mais espaço no live-action.

Mas verdade seja dita, ninguém do elenco de vozes decepciona. Florence Kasumba, Keegan-Michael Key, e Eric André conseguiram captar o ar sinistro das hienas Shenzi, Kamari e Azizi respectivamente.

Chiwetel Ejiofor brilha como Scar. JD McCrary e Shahadi Wright Joseph como os jovens Simba e Nala dão show de interpretação e canto. Ninguém esperava menos que um trabalho excepcional de Donald Glover como Simba. Beyoncé deixa um pouco a desejar na interpretação, mas não tem como decepcionar nas canções. E o que falar de Alfred Woodard como Sarabi e James Earl Jones como (mais uma vez) Mufasa?!

A experiência fã

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O que é importante entender aqui é que os live-actions Disney, assim como tantas outras adaptações, contam com a chamada "experiência fã" como principal crítico, mas também como principal aliado. Logo que a Disney anuncia uma adaptação real de seus clássicos, o pensamento e o sentimento de um fã que cresceu com aqueles filmes é "Não estrague minha infância."

Agora duplique ou triplique esse peso quando falamos de O Rei Leão. Sim, o live-action poderia ter seguido o exemplo de outras adaptações e ter adicionado mais coisas novas. Mas adaptou fielmente, não estragou a história e, embora sem alguns recursos da animação, encanta com outros recursos que a animação não tinha.

Sim, animais reais não têm a dramaticidade de atores reais e animações, logo suas versões animadas beirando a realidade também não poderiam ter. Mas um Timão e um Pumba live-action conseguiram fazer um cinema lotado de adultos cantar Hakuna Matata em alto e bom som. Porque isso é a "experiência fã".

Conclusão

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Diferente dos demais live-actions Disney lançados até o momento, que buscam renovar as histórias contadas há algumas décadas nas animações clássicas, O Rei Leão funciona mais como uma homenagem ao desenho de 1994.

Um live-action era necessário? Um sobremesa depois do almoço também não é necessária para saciar, mas, se bem feita, é sempre muito bem vinda...

Se você conseguir deixar de lado a falta de expressão dos animais (comparado com a animação! Não quer dizer que eles não tenham expressão alguma), vai se encantar com as músicas, com o humor de Timão e Pumba, com a cena de romance entre Simba e Nala, com o visual da batalha entre Simba e Scar, e vai se emocionar (sim, tinha gente chorando no cinema).

Assim como a animação original, as séries animadas para TV, e o fenômeno de público que segue sendo o musical da Broadway; esta nova leitura de O Rei Leão tem características próprias de sua plataforma, tanto boas quanto ruins.

Mas como fã, o que já deve ter dado para perceber que eu sou, eu digo: vale muito a pena conferir essa versão, assim como vale se emocionar novamente revendo todas as outras.

O live-action de O Rei Leão está em cartaz.

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