CRÍTICA It: A Coisa 2 | Uma assustadora - e divertida - homenagem à King!

O remake de It: A Coisa levou aos cinemas muitos fãs da obra original de Stephen King. Grande sucesso de público e crítica, o primeiro filme aliou a nostalgia e a inocência de uma infância dos anos 1980 ao terror e à sanguinolência do temível Pennywise.

A sequência, que chegou hoje aos cinemas, não desaponta em nada quem gostou da primeira parte: substituindo o carisma do elenco mirim do primeiro filme por atuações igualmente cativantes de nomes como Jessica Chastain, James McAvoy e Bill Hader, o longa muda de cara sem perder qualidade.

It: A Coisa - Capítulo 2 amplia o universo do primeiro filme de forma magistral. Diverte e assusta, respeitando a obra original e prestando uma merecida homenagem à trajetória de King como um todo.

Confira a crítica sem spoilers!

27 anos depois

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Passados 27 anos dos eventos de It: A Coisa, estranhos acontecimentos voltam a acontecer em Derry. Designado a ficar como uma espécie de guardião da cidade, Mike (Isaiah Mustafa) liga para os membros do Clube dos Perdedores cobrando uma antiga promessa: caso Pennywise reaparecesse, o grupo se reuniria para detê-lo.

O filme usa o chamado de Mike para apresentar os rumos que cada um dos amigos tomou na vida. Bill (James McAvoy) tornou-se um roteirista e escritor, Beverly (Jessica Chastain) fundou uma empresa com seu marido, Richie (Bill Hader) virou um comediante, Ben (Jay Ryan) seguiu carreira na arquitetura e Eddie (James Ransone) trabalha como analista de riscos para uma seguradora.

A química entre os personagens, embora diferente de quando todos eram crianças, funciona bem: é fácil perceber que aquelas pessoas tiveram uma relação próxima por um tempo, mas se distanciaram. Nas cenas em que são mostrados flashbacks do passado, é fácil saber quem é quem devido à forma como cada um age com o grupo. Ponto para a escolha do elenco.

Um Terror com tempero de Comédia

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It: A Coisa - Capítulo 2 consegue uma proeza difícil de se acertar: mistura terror com toques de comédia. Essa fusão é perigosa porque pode acabar quebrando todo o medo que o filme pode promover, ou então ver as piadas tornarem-se apenas mau-gosto se colocadas nos momentos errados.

O roteiro, no entanto, foi capaz de nos levar para um passeio de altos e baixos, no qual o alívio cômico está muito bem inserido na narrativa. Um dos pontos altos do filme é justamente a relação de Richie e Eddie, que arranca risadas do público.

Quanto ao Pennywise, neste filme o diretor mostra um lado ainda mais insano da criatura. Apesar de a imagem do palhaço macabro ser assustadora, a interpretação de Bill Skarsgård, com suas variações de vozes e entonação macabra, consegue perturbar mesmo quando o monstro não está na tela.

Muitas referências!

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Um verdadeiro presente para os fãs da obra de Stephen King e dos filmes de terror dos anos 1980 como um todo são as referências presentes no longa. Tem de tudo, desde as mais óbvias, como uma placa no cinema de Derry indicando que estava sendo exibido A Hora do Pesadelo, até rimas visuais com O Iluminado!

O diretor Andy Muschietti e o roteirista Gary Dauberman se empenharam em fazer do filme uma verdadeira homenagem ao escritor, tanto no respeito pelo texto original, quanto nos easter eggs que são um presente para os fãs mais atentos. E tem mais uma surpresa!

O próprio King faz um cameo no filme, aparecendo como dono de um antiquário! O filme chega até mesmo a brincar com críticas que o autor sempre recebeu ao longo sua carreira: Bill, que escreve histórias de terror, escuta de todos que seus finais são ruins, um comentário bastante frequente na vida do autor de It: A Coisa.

Uma mistura que funciona

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A mescla entre terror e comédia funciona bem no longa, fazendo das quase 3 horas de duração do filme uma experiência bem divertida e interessante. As animações e efeitos visuais são horripilantes (nesse caso, no bom sentido), fazendo com que o Pennywise e seus poderes sejam realmente perturbadores.

O que pode incomodar os espectadores é o arco de Bowers: o garoto, que no primeiro filme corta Mike com sua faca, reaparece como um adulto. O personagem parece perdido no meio da história, sem muito desenvolvimento e com um papel não muito claro na trama.

Como até o próprio filme brinca com isso, é válido comentar também sobre o final: embora não seja ruim, não parece estar à altura da obra como um todo. Encerra dignamente o longa, mas deixa a sensação de que poderia ter um desfecho mais interessante.

It: A Coisa - Capítulo 2 entrega o que promete, satisfazendo os fãs da primeira parte e da obra original, e ainda celebra de forma emocionante - e macabra - as criações de Stephen King.

It: A Coisa - Capítulo 2 chega hoje aos cinemas, 5 de setembro.

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