CRÍTICA Ascensão Skywalker | Um final digno e imperfeito

Depois de completar 42 anos da estreia da Saga Skywalker nos cinemas, a história finalmente chegou ao fim. A Ascensão Skywalker foi o capítulo final da longa epopeia cinematográfica dividida em três atos e nove capítulos, sem contar os spin-offs, animações, séries, livros e games.

O que foi projetado nos cinemas foi muito mais do que um filme. Tem uma mística própria, uma linguagem que só pode ser traduzida por quem já se encantou antes pelo eterno embate entre luz e trevas dessa galáxia tão tão distante. Como filme, tem suas falhas. Ousar ser criativo com algo tão precioso não é uma delas.

Confira a crítica completa SEM SPOILERS!

Fantasmas do passado

Star Wars

O filme começa explicando o retorno de Palpatine. Essa é, literalmente, uma das primeiras informações que aparecem no clássico letreiro inicial do longa. Embora os últimos trailers já tenham preparado a todos sobre a volta do personagem, é bastante chocante receber essa informação logo de cara.

E, logo de cara, esse é talvez um dos principais deslizes da direção de J.J. Abrams, que vai na linha oposta do que ele fez tão brilhantemente em Cloverfield: logo de cara, ele nos "mostra o monstro". Levar para a telona um personagem com esse peso e só depois explicar o que se passa foi um caminho que, na minha opinião, poderia ter sido traçado de maneira diferente.

Com o "monstro" revelado, os heróis se lançam numa missão desesperada para tentar, com as poucas forças que têm à mão, derrotar as forças Sith que voltam a se revelar. No caminho, temos um pouco do deslumbre da criação de universo que só Star Wars tem: Pasaana, o novo planeta, é um dos momentos mais bonitos (visualmente falando) do filme!

Retornar para Ascender!

Star wars

Junto consigo, o Imperador traz uma nova arma capaz de aniquilar de vez qualquer resistência e controlar novamente toda a galáxia. Para impedi-lo, Rey precisa ir aos confins da galáxia atrás de seu esconderijo, ao mesmo tempo em que encara a verdade sobre seu passado.

O segundo ato consegue misturar bem a jornada pessoal da Jedi com o destino da galáxia, fazendo com que ela se confronte com um dilema extremamente difícil de se resolver. O filme acerta ao conseguir deixar tudo tão bem amarrado e funcionando como um motor para a história.

Apesar de a revelação sobre quem de fato são os pais de Rey não ter o mesmo impacto das outras tantas revelações feitas ao longo dessa saga, ela nos traz uma familiaridade com a temática original de Star Wars, fechando o retorno aos clássicos que essa última trilogia sempre se propôs a fazer.

Uma grande despedida

despedidas

2019 parece ter sido um ano para se despedir de personagens queridos. Começou com Vingadores: Ultimato, depois foi para Toy Story 4 e agora termina com A Ascensão Skywalker. Por ser o último filme, da saga, era de se esperar que teríamos algumas mortes emocionantes. Sim, elas estiveram lá, mas não tantas e nem da maneira como achávamos que seria.

O longa preferiu não pesar a mão em grandes sacrifícios heroicos ou mortes épicas. E, embora isso possa desagradar a alguns fãs, considero que esse foi um caminho original e bastante respeitoso com o que foi construído na franquia ao longo dos anos. Em Star Wars, a morte é um retorno à Força e possui uma poética própria que não permite que isso se torne um espetáculo.

É claro que nós sentimos medo pelos nossos personagens queridos ao longo do filme, mas o fato desse ser o último capítulo da saga não fez com que eles fossem tratados com menos carinho ou cuidado. As despedidas são mais sutis e parecem acontecer com aquele universo como um todo, não apenas com um ou outro personagem.

As perturbações na Força

rise of skywalker

A Ascensão Skywalker eleva em níveis épicos o uso da Força e o senso de urgência causado pela nova ameaça apresentada no filme. Tamanha grandiosidade, no entanto, pode causar algumas incongruências com a mitologia criada pela franquia. Mas esse não é o maior dos problemas.

Algo que realmente incomoda no longa são os diálogos nos momentos dramáticos. O filme fica sempre a um passo de escorregar para a pieguice nessas horas, passando do ponto ideal de tensão da cena e forçando a barra de forma desnecessária.

Mas o principal problema que A Ascensão Skywalker enfrenta não tem a ver exclusivamente consigo, mas com a franquia. É que, se compararmos o longa com o seu anterior, Os Últimos Jedi, muitos eventos parecem desconexos. Os fãs do Episódio VIII irão dizer que o erro está no Episódio IX e vice-versa.

As histórias contadas por J.J. Abrams e Rian Johnson parecem não funcionar uma a serviço da outra, o que faz com que A Ascensão Skywalker precise introduzir todos os elementos dramáticos centrais da trama de forma rápida e não tão bem explorada.

Mais que tudo, é um 'Instinto, uma sensação'!

um instinto

Mesmo com suas falhas, A Ascensão Skywalker consegue entregar aos fãs a sensação de estarem assistindo a um filme de Star Wars. A grandeza é digna do final de uma franquia de 42 anos, preocupando-se sobretudo com os novos e antigos personagens.

A trilha sonora está exuberante, citando temas que são inesquecíveis em momentos-chave. A volta de Lando Calrissian (Billy Dee Williams) e de Palpatine (Ian McDiarmid) não são gratuitas, assim como o cameo super emocionante que acontece do meio para o fim da trama.

Esse talvez seja o melhor filme de C-3PO, o personagem favorito deste que vos escreve. A atuação sempre incontestável de Anthony Daniels faz jus à importância que o droide ganha no último capítulo da trama, fazendo dele muito mais que um alívio cômico de luxo.

A chave para entender A Ascensão Skywalker está no discurso de Finn: "É um instinto, uma sensação". Este filme foi claramente feito para emocionar, usando ferramentas que já são familiares aos fãs da franquia para proporcionar um desfecho capaz de agradar audiências de diferentes gerações.

A Ascensão Skywalker estreia dia 19 de dezembro nos cinemas brasileiros.

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