Crítica Ad Astra | Uma reflexão importante, mas bem desinteressante

Logo que saiu o primeiro trailer de Ad Astra, a premissa do filme e o elenco estelar (Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Donald Sutherland, Ruth Negga, Liv Tyler) nos deixou esperançosos sobre mais um bom filme no espaço.

OK, Pitt está brilhante. Contudo, o longa passa longe do caminho traçado por Apocalypse Now, Gravidade, Interestelar e mesmo o divertido Perdido em Marte. Com uma trama que tenta ser inspiradora, mas apenas deixa o espectador irritado, o filme algumas vezes parece quase seguir em diferentes caminhos que seriam muito mais interessantes, apenas para seguir caminho nenhum.

Mas vamos por partes. A crítica abaixo não contém spoilers.

A trama

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Ad Astra nos apresenta uma realidade em um futuro breve, na qual viagens espaciais são algo comum, incluindo viagens comerciais à Lua, onde já há uma estação espacial com franquias como Subway, Applebee's, entre outras. Lá, inclusive, os humanos seguem brigando por recursos, replicando no novo local o que deixaram para trás ems eu planeta natal.

O astronauta Roy McBride (Brad Pitt) é escalado para uma missão quando sobrecargas de energia vindas do espaço ameaçam a vida na Terra. Contudo, a missão envolve seu pai, o astronauta Clifford McBride (Tommy Lee Jones), que Roy julgava estar morto.

A trama, portanto, promete surpresas e revelações sobre o real intuito das intenções do pai do protagonista. Por outro lado, Roy deve confiar na SPACECOM, para quem trabalha? O problema é que a trama é bem mais fraca do que promete...

Boa reflexão, porém...

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Sem dar spoilers, o filme convida o espectador a uma reflexão... OK. vamos ser mais claros... o filme joga uma reflexão na cara do espectador. O problema é que ele não prepara bem a audiência para receber essa mensagem. Pelo contrário.

Por várias vezes, o longa indica que a trama pode seguir por outros caminhos um tanto quanto surpreendentes, apenas para negar a coisa toda logo depois. Ou seja, vamos aqui aumentar sua expectativa com a trama... mas não... toma aqui uma reflexão.

Por um lado, a reflexão proposta é realmente boa, realmente importante. Porém, nem de longe vai ter a receptividade e o impacto que poderia ter. Não emociona.

O elenco

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O ano de 2019 definitivamente marca um bom momento na carreira de Pitt. Não é exatamente como se ele precisasse ainda provar que é um dos maiores nomes de Hollywood atualmente, mas o ator brilhou em Era Uma Vez em Hollywood, e não faz diferente em Ad Astra.

Toda a emoção do filme, inclusive, apoia-se nele. E isso se torna outro problema. Você consegue assistir à performance de Pitt e admirar seu talento e o quanto o ator se doou ao papel. Porém, a trama não deixa você se emocionar com ele.

Tommy Lee Jones também está incrível. Já Donald Sutherland parece um talento desperdiçado no longa. Nome de peso, o ator aparece em pouquíssimas cenas e seu clímax é basicamente ele sendo menino de recado, sem espaço nenhum para mostrar a atuação que é capaz de oferecer.

Efeitos e estética

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Efeitos, estética, fotografia. Todo o visual de Ad Astra está impecável! Ainda assim, não é o suficiente para prender a atenção do espectador, que quer uma trama elaborada, e recebe uma bem mediana.

As tomadas de câmera são bem pensadas e todos os ângulos parecem trabalhar para construir uma fotografia incrível para o longa.

A direção de James Gray, que também é co-roteirista do filme, tem uma qualidade de batalha épica que o cineasta também mostrou em A Cidade Perdida de Z. Assim como essa obra, contudo, Ad Astra peca na trama e fica com objetivos ou não tão claros ou simplesmente sem o alcance esperado.

Conclusão

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Ad Astra traz um reflexão importante, atual e urgente. Até para a magnitude do alerta, contudo, a trama realmente não foi bem sucedida em prender a atenção do espectador e motivá-lo a dar a devida importância que a mensagem final merece.

São tantos elementos bons juntos (elenco, fotografia, mensagem) em um filme cuja trama parece prejudicar quase todos, que a sensação é de que quase tudo foi mal aproveitado.

Uma pena para a experiência do expectador, mas uma obra que ainda pode render reconhecimentos variados aos envolvidos no filme durante a temporada de premiações do ano que vem.

Ad Astra está em cartaz nos cinemas brasileiros.

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